Acho que de todos os trabalhos desenvolvidos até agora o que está me causando mais dificuldade é este. Procurei, desde o inicio do curso, organizar os trabalhos e pesquisas em pastas no PC, desenvolvi em power point algumas disciplinas de forma que tivesse uma visão geral de todos os trabalhos. Outros (ainda sem tempo) continuam apenas separados por disciplinas com textos, rascunhos, artigos (ainda não lidos), pesquisas e trabalhos desenvolvidos.

Claro que em todos, consigo perceber meu crescimento (o que não conhecia, o que não aplicava, o que já sabia e foi reforçado) mas não cheguei a fazer as reflexões que tenho feito nesta disciplina, especificamente neste trabalho, conectando, transformando em atividades ideias e pensamentos que eram apenas exercícios de estudante.


Achava que o termo professor-pesquisador só se aplicava ao profissional que desenvolvia teorias e teses em gabinete, mas agora por mais que eu tenha a programação montada, a aula preparada com um plano de estudo em andamento, não consigo deixar de ler um artigo ou reler um capitulo estudado antes de apresentar aos alunos.

Em cada semestre modifico a maneira de concluir as disciplinas de forma que não fique parecendo fechada, acabada; sempre deixo um espaço para novas conclusões, um artigo por terminar ou uma indicação de livro (para ler quando tiver tempo). Assim me forço a retomar, sem chance para a “acomodação”, não me preocupo com “o que ainda não conheço”, o que realmente me assusta é achar que “o que sei” me basta...

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Como sei o que sei em arte?


Orientações para elaboração de Portfólio sobre ensino de artes visuais: Ao final do semestre deverá ser apresentado um portfólio pessoal sobre ensino de artes visuais e planejamento.”
Acho que nem no vestibular fiquei tão preocupada em “me colocar à prova”, pior do que encarar uma nota emitida pelo professor, é a avaliação que fazemos dos nossos próprios conhecimentos.
Ainda mais difícil é admitir, em “rede”, o que sabemos e o que precisamos de mais tempo para entender, ou explicar como sabemos o que sabemos ou deixamos de saber. Mas o portfólio está ai (ou parte dele) com as atividades que mais me influenciaram ou que mais me fizeram pensar, que mudaram minhas atitudes ou que as reforçaram.
Por medida de organização vou procurar manter a mesma ordem em que foram solicitadas as atividades; não que tenham sido feitas nessa ordem, a assimilação ou compreensão do conhecimento não é linear ou cronológica, pois é uma constante “idas e vindas” de nossas experiências.

Como se aprende arte?


1. Uma experiência de situação de ensino-aprendizagem em que houve construção de conhecimento em artes visuais.
2. Uma experiência de situação de ensino de artes visuais em que não foi possível aprender.
O interessante desta atividade não foi analisar a didática apresentada em uma ou outra situação. Foi entender na teoria o que a prática já tinha me ensinado anos atrás. Enquanto adolescente entendi que “aprender” é muito mais do que entender a matéria que o professor explica (“não tinham que me ensinar, eu tinha que aprender”.), agora voltando para a teoria como explicar o “meu aprender”?
Segundo Ana Mae “... não se tratam de fases da aprendizagem, mas de processos mentais que se interligam para operar a rede cognitiva da aprendizagem”.
É o que está acontecendo agora estou “entendendo como entender”.
Em outra situação, quando o professor me mostrou a importância da Geometria Descritiva apenas descartando sua existência fica bem ilustrado o que Fernando Hernández coloca sobre a importância do incentivo aos interesses dos alunos:
"O professor tem de despertar o olhar curioso, para o aluno desvendar, interrogar e produzir alternativas frente às Representações do universo visual”.

Caracterização da área de arte nos PCN


Analise a estrutura do documento, os elementos que a compõem e o que é contemplado nos objetivos e conteúdos gerais para a área de arte:
Os PCNs estão nos nossos estudos desde o primeiro semestre, são documentos norteadores tendo por finalidade orientar as práticas pedagógicas, os programas, conteúdos e avaliações dos professores de cada área, vemos que aborda uma proposta bem estruturada com três eixos de aprendizagem (produzir, apreciar e contextualizar) muito semelhante à Abordagem Triangular defendida por Ana Mae Barbosa.
Os objetivos e conteúdos são abrangentes não só preocupados com a aprendizagem específica, mas também contextualizando o momento atual e o desenvolvimento do cidadão.
Acredito que as orientações encontradas nos PCNs são de grande valor para uma construção de programa de ensino e planejamento de aula, mas ainda não está completo e totalmente definido, ainda temos muito caminho pela frente, mas já sabemos a direção a ser tomada, segundo Ana Mae Barbosa: (...) “precisamos continuar a luta política e conceitual para conseguir que a arte não seja apenas exigida, mas também definida como uma matéria, uma disciplina igual às outras no currículo. Como a matemática, a história e as ciências, a arte tem um domínio, uma linguagem e uma história. Se constitui, portanto, num campo de estudos específico e não apensa mera atividade".

Educar para quê?


De acordo com o pensamento de vários autores contemporâneos um dos principais objetivos da educação na área de artes é educar para a compreensão da arte. Referencias: Fernando Hernández (A pesquisa sobre a compreensão: a interpretação como chave da educação escolar) e Anita Prado Koneski.(A estranha 'fala' da arte contemporânea e o ensino da arte”
Os textos abrem um grande caminho para uma nova forma de ver e trabalhar com nossos alunos. Segundo Hernandez “a arte está sujeita a uma atribuição de significações, pois não só expressa o que o artista tem em sua mente no momento em que está realizando a obra, mas inclui a interpretação do espectador (...) O processo de interpretação implica em reconhecer a linguagem em um procedimento de diálogo, que não se produz de forma automática, mas que deve ser reconstruído a partir do interior daquele que o recebe, retraduzindo e reexpressando com suas próprias categorias mentais”.
Há muito que não trabalhamos com “certo e errado”, mas agora entra um novo desafio quando deixamos de ver a arte como uma “janela para a realidade”. Víamos a arte de uma forma tradicional e passamos a questioná-la sem esperar respostas, ao contrário, produzindo dúvidas nas nossas certezas, e tendo que olhar nas mais diversas direções em caminhos que não estamos acostumados, mas onde nossos alunos se encontram e isso nos traz insegurança e mais questionamentos gerando uma desacomodação saudável e necessária.

Tendências pedagógicas

Tendências pedagógicas e o ensino de artes - panorama histórico
Diz Ana Mae Barbosa: "É fundamental conhecer a história do ensino de arte para perceber a realidade atual e lidar criticamente com ela."
Escola tradicional
Valorizava a transmissão do conteúdo de forma produtivista preocupando-se, sobretudo, com o produto do trabalho escolar.
Esse produto demonstrava o quanto o aluno aprendeu do “fazer técnico e científico” dos conteúdos abordados. Os conteúdos são verdades absolutas, dissociadas da vivência dos alunos e de sua realidade social. O aluno é o receptor passivo, inserido em um mundo que irá conhecer pelo repasse de informações.

Escola nova
A Tendência Liberal Renovadora não-diretiva (Escola Nova) enfatiza a formação de atitudes, o método é baseado na facilitação da aprendizagem, onde aprender é modificar as percepções da realidade. O Professor é auxiliar das experiências.
"Do ponto de vista da Escola Nova, os conhecimentos já obtidos pela ciência e acumulados pela humanidade não precisariam ser transmitidos aos alunos, pois acreditava-se que, passando por esses métodos, eles seriam naturalmente encontrados e organizados" (FUSARI e FERRAZ).

Escola tecnicista
O tecnicismo seguia uma linha de ensino, adotada por volta de 1970, no Brasil, que privilegiava excessivamente a tecnologia educacional e transformava professores e alunos em meros executores e receptores de projetos elaborados de forma autoritária e sem qualquer vínculo com o contexto social a que se destinavam. Este modelo foi importado dos EUA, durante as décadas de 1960/1970, para suprir a demanda da mão-de-obra qualificada a partir da chegada das multinacionais, no Brasil.

Escola libertadora e escola libertária
Apesar de possuir nomes parecidos, vindos da mesma origem, libertador e libertário possuem significados diferentes: enquanto libertador significa que ou o que liberta, que concede a liberdade, libertário é que ou aquele que se guia por doutrinas fundamentadas na liberdade absoluta.
Tendência progressista libertadora: Essa tendência tem sua origem ligada diretamente com o método de alfabetização de Paulo Freire. A busca do conhecimento é imprescindível, é uma atividade inseparável da prática social, e não deve se basear no acúmulo de informações, mas, sim, numa reelaboração mental que deve surgir em forma de ação, sobre o mundo social.
Tendência progressista libertária: A pedagogia progressista libertária valoriza a experiência de autogestão, autonomia e não-diretividade. Nessa concepção, a ideia de conhecimento não é a investigação cognitiva do real, mas, sim, a descoberta de respostas relacionadas às exigências da vida social. Essa tendência acredita na liberdade total; por isso dá mais importância ao processo de aprendizagem grupal do que aos conteúdos de ensino.

Escola crítico-social dos conteúdos
Surge no final dos anos 70 e início dos anos 80. Sua tarefa principal centra-se na difusão dos conteúdos, que não são abstratos, mas concretos. Cabe ao professor escolher conteúdos mais significativos para o aluno, os quais passam a contribuir na sua formação profissional, visando à inserção do aluno no contexto social.

Escola construtivista
Independente da estratégia de ensino do professor, o que deve ficar bem claro é que a aprendizagem é uma construção pessoal que se produz em função das inter-relações significativas com o meio ambiente e que o professor deve ser um guia, um facilitador ou mediador, tendo o cuidado de nunca antecipar as respostas.
"Construtivismo significa isto: a ideia de que nada, a rigor, está pronto, acabado, e de que, especificamente, o conhecimento não é dado, em nenhuma instância, como algo terminado.” (Fernando Becker)

Olhando o ensino da arte no Brasil, desde o início de nossa história, podemos compreender porque continuamos nesse caus. As várias correntes desenvolvendo a educação sempre tiveram interesses maiores por trás da falsa preocupação com o maior interessado que é o aluno e com a melhoria na formação do professor.
Ainda temos muito que aprender e modificar em nosso país, quando achamos que estamos no caminho certo aparecem dificuldades impostas por pessoas alheias ao desenvolvimento cultural e independência de pensamento.
Sei que a atual proposta que tentamos seguir no ensino da Arte é sem dúvida a que melhor atende as necessidades do que seja realmente Arte. Trabalha o contexto histórico, a relação cultural, vários significados sociais e ideológicos, principalmente nas obras contemporâneas, e entende que a arte é muitas vezes utilizada para subverter padrões sociais. Mas também entendo que o que hoje nos parece perfeito (apesar de muitas vezes não ser utilizado) tende a se tornar obsoleto, pois a sociedade se modifica muito mais rapidamente que as novas tendências são estudadas e implantadas.
Mas acredito que estamos no caminho certo, pelo menos sabemos que impor métodos importados referentes a uma determinada cultura não leva a nada, ensinar a pensar buscando nas próprias experiências e bagagem cultural motiva um aprender independente e um desenvolvimento de cidadania.

Formas de pensar o ensino de artes visuais

Formas de pensar o ensino de artes visuais na contemporaneidade: proposta triangular, cultura visual e projetos de trabalho. As três propostas e seus autores referenciais são:

1. Proposta Triangular
Ana Mae Barbosa
Esta proposta busca colaborar para uma alfabetização visual.
Tal como na escrita: para compreendermos o significado das palavras é necessário sermos alfabetizados, também para entender as imagens visuais é preciso uma “alfabetização visual”.
“Através da leitura das obras de artes plásticas estaremos preparando a criança para a decodificação da gramática visual, da imagem fixa e, através da leitura do cinema e da televisão, a prepararemos para entender a gramática da imagem em movimento”.BARBOSA
Tem por base um trabalho pedagógico integrador de três facetas do conhecimento em arte:
* fazer artístico
* análise de obras artísticas
* história da arte

 2. Cultura Visual 
Fernando Hernández
Propõe que as atividades ligadas à Arte passem a ir além de pinturas e esculturas, incorporando publicidade, objetos de uso cotidiano, moda, arquitetura, videoclipes e tantas representações visuais quantas o homem é capaz de produzir.
Trata-se de levar o cotidiano para a sala de aula, explorando a experiência dos estudantes e sua realidade.
Essa "alfabetização visual" dará ao aluno condições de conhecer melhor a sociedade em que vive interpretar a cultura de sua época e tomar contato com a de outros povos.

3. Pedagogia de Projetos em Artes Visuais 
Fernando Hernández e Mirian Celeste Martins
Um projeto de trabalho não é uma fórmula e sim uma concepção de educação.
Projeto é uma proposta em que o aprender ganha um novo significado através das tentativas de se solucionar um problema;
Envolve situações de aprendizagem reais e diversificadas; os alunos constroem sua autonomia e compromisso social.

PCN para o Ensino Médio

Desenvolvendo competências e habilidades
Referenciais Curriculares do Rio Grande do Sul
Acredito que muito já mudou em relação ao ensino da arte, na medida em que os professores colocam em prática as diretrizes articulando os eixos de competências básicas e gerais, fundamentados nos processos cientifico-tecnológicos, relacionando teoria com prática e contextualizando a história da arte com as diversas disciplinas. Assim o aluno começa a entender a importância desses conhecimentos em todos os momentos de sua vida estudantil.
Cabe ao professor de artes articular entre as diversas disciplinas situações de aprendizagem contextualizadas a fim de valorizar a interdisciplinaridade. Com isso o aluno (e por que não dizer outros professores e a própria direção), vai entender a importância de se expressar e interpretar as diversas linguagens e códigos presentes no complexo mundo em que vivemos, procurando resolver novos problemas sem precisar de “modelos” para se guiar, buscando criar estratégias pessoais com criatividade articulando conhecimentos pré-existentes para uma nova descoberta.

PLANO DE AULA

E E ENSINO MÉDIO INÁCIO MONTANHA
Atividade: Leitura e Releitura de Imagem
Professora: Leila Quintana de Aguiar
Disciplina: Arte-Educação
Turma: 206 (2º ano Ensino Médio)
Turno: Manhã
Carga Horária: 1h/a semanal
Duração: 4h/a

JUSTIFICATIVA
Percebendo a faltava de observação em todos os trabalhos (não só em artes, mas nas outras disciplinas também), verifiquei que os alunos não seguiam as ordens nas atividades determinadas ou não percebiam mudanças significativas nas dependências da escola (por não prestarem atenção), resolvi mudar um pouco minha programação e trabalhar Leitura de Obra segundo Edmund Feldman de uma forma mais dinâmica e uma releitura ao final do trabalho.

OBJETIVO GERAL
• Propiciar clima de trabalho, curiosidade, desafio perceptivo, qualidade lúdica e alegria, junto com paciência, atenção e esforços para o processo de criação;
• Dar condições para que o aluno descubra as possibilidades e limitações dos diferentes materiais, expressando sua visão pessoal da linguagem artística;
• Desenvolver o senso crítico, a capacidade de julgamento e argumentação;
• Valorizar o desenvolvimento da expressão;
• Compreender que a arte está relacionada com fatos históricos e que nos passam informações que estão além da obra.
• Reproduzir graficamente aquilo que vê ou imagina com suas cores, ideias, sentimentos, emoções...

OBJETIVO ESPECÍFICO
• Realizar leituras críticas de imagens artísticas e da cultura visual usando elementos de análise e interpretação, estabelecendo relações entre produções contemporâneas e a história da arte.
• Tomar consciência da importância da observação como um todo e nos detalhes compreendendo as relações das imagens artísticas com os elementos que expressam ideias e sentimentos;
• Conhecer e discutir os mais diversos fundamentos da Arte;
• Observar e reconhecer o patrimônio cultural de seu entorno, bem como de outras etnias e culturas.
• Utilizar diferentes tipos de instrumentos, materiais e técnicas;
• Elaborar produções artísticas, utilizando os elementos da linguagem visual, demonstrando conhecimento e manejo de diferentes formas de composição;
• Discorrer e escrever sobre seu próprio processo criativo, produções realizadas e soluções encontradas para resolver problemas visuais, estéticos e técnicos;

CONTEÚDOS ABORDADOS
• Conhecer e apreciar a obra do artista Antônio Maia;
• Exercício de leitura de imagem que objetiva a observação, compreensão e a interpretação da arte em diversos contextos de produção;
• Estudo e analise dos elementos que compõem uma obra de arte, fundamentos da percepção visual;
• Valorizar a cultura nacional fortalecendo a identidade da arte popular e seus preceitos;

METODOLOGIA
• Exercícios individuais e coletivos com a utilização de elementos visuais;
• Analise das qualidades perceptivas especificas dos elementos da linguagem visual através de leitura de imagens e exercícios compositivos;
• Pesquisa na biblioteca da escola ou visita a sites em busca de referências e relações para os temas ou conteúdos em estudo;
• Pesquisa e experimentação com diversos recursos e materiais: recursos tradicionais, alternativos e de novas tecnologias;
• Analise e compreensão dos elementos que compõem uma obra
• Estudo teórico e experimentações com performances, instalação e interferência: modos contemporâneos de agir artisticamente no espaço e no tempo;
• Exposição dos trabalhos feitos com curadoria dos alunos, no espaço da escola;

CRONOGRAMA
1ª Aula:
Como o objetivo, neste momento, era mostrar aos alunos a importância de uma observação bem feita com atenção e método, apresentei uma reprodução da obra: Mensageiro de Antônio Maia e pedi que prestassem atenção.

                                     

Após uma breve conversa falando sobre o autor da obra, pedi que observassem a reprodução (durante um minuto) em todos os detalhes.
Retirei a gravura e pedi que reproduzissem “fielmente” a obra em uma folha, respeitando formas e cores.

2ª Aula:
Foi apresentado aos alunos o Método de leitura de obra baseado em Edmund Feldman observando quatro momentos: descrição, análise formal, interpretação e avaliação.
Em conjunto com professora de Português foram trabalhadas, nessa disciplina, algumas técnicas de redação especificamente voltadas às descrições.
Em artes foi mostrado como descrever uma obra, registrando detalhes e elementos que ajudam na observação da arte, como: memorização, análise, síntese, orientação espacial, proporção, dimensão...

3ª Aula:
Devolvi os trabalhos (alguns sem a menor semelhança com o original) e pedi que comparassem seus trabalhos, analisando os erros e fazendo uma descrição e uma análise formal da obra utilizando o método de leitura estudado (desta vez mantive a reprodução no quadro para observação).
Junto com a descrição pedi que fizessem uma pesquisa da biografia e o tema recorrente em outras obras do artista. (a partir deste momento começa a avaliação)

4ª Aula:
Retomando as aulas onde falamos sobre arte contemporânea e releitura de obras, vou pedir para que trabalhem em grupo fazendo uma releitura da obra estudada de forma tridimensional, podendo ser usado qualquer tipo de material (colagem, escultura, fotografia, sucatas, desenho em perspectiva, pintura...).

RECURSOS UTILIZADOS
• Reprodução da obra: Mensageiro de Antônio Maia;
• Aula expositiva e exercício de observação;
• Pesquisa na biblioteca e laboratório de informática;
• Material usado para confecção dos trabalhos fica a critério de cada grupo, conforme sua necessidade;

AVALIAÇÃO
A avaliação será realizada durante as aulas através de observação e diálogo com os alunos. Alguns itens norteadores da avaliação:
• Envolvimento nas atividades propostas;
• Alcance dos objetivos de cada etapa de trabalho;
• Criação de formas artísticas com expressão, criatividade e originalidade, demonstrando algum tipo de capacidade ou habilidade no domínio da técnica.

RELATO DA APLICAÇÃO DO PLANO
A primeira aula foi muito divertida e alertadora, no momento em que retirei a imagem e pedi que a reproduzissem “fielmente”, os alunos reclamaram muito. Disseram que o tempo de exposição tinha sido pouco e que não tinham prestado muita atenção, assim não conseguiriam reproduzi-la. Aos poucos foram se acalmando na medida em que eu explicava que a avaliação não seria feita neste momento e que esse exercício era um alerta para eles verem a maneira descomprometida que observam as coisas.
A segunda aula (mais teórica) foi bem aproveitada com interesse e participação dos alunos que já faziam comentários sobre como não tinham percebido os detalhes na obra por não terem prestado atenção ou não terem seguido um roteiro ou método.
Na terceira aula os alunos produziram uma descrição da obra seguindo o método de analise formal estudado. Reclamaram um pouco por estarem fazendo uma redação na aula de artes nas entenderam que a observação, analise e a descrição fazem parte de uma leitura de obra, e que para produzir um trabalho artístico passamos por várias etapas teóricas.
Na quarta aula quando fiz a proposta de uma releitura, onde eles poderiam trabalhar a sua própria maneira de ver o tema usando como base a obra estudada os alunos foram unanimes: queriam reproduzir a obra e não fazer uma releitura. Achei a atitude madura percebi que eles precisavam provar alguma coisa para eles mesmos. Então aceitei o desafio nas com uma condição; só mostraria a imagem da obra ao final dos trabalhos, eles deveriam transformar o quadro em um trabalho tridimensional (usando colagem, escultura, fotografia, sucatas, desenho em perspectiva, pintura...) apenas usando suas próprias descrições e analises, sem a imagem.
A avaliação foi feita durante todas as etapas do trabalho com a total interferência dos alunos. Durante as apresentações os alunos comentavam e indicavam erros e acertos nos trabalhos, muitas vezes sem nem precisar consultar a obra estudada.


                                         
REFERÊNCIAS
http://www.ceart.udesc.br/Pos-Graduacao/revistas/artigos/resumovaleska.html
http://moodle.regesd.tche.br/file.php/276/iavelberg_curriculo.pdf
http://www.educacao.rs.gov.br/dados/refer_curric_vol1.pdf
http://www.educacao.rs.gov.br/dados/refer_curric_prof_vol2.pdf
http://esteticaemcomunicacaouniube.blogspot.com/2010/03/metodo-de-leitura-baseado-em-edmund.html
http://books.google.com.br/books?id=vE-JKyNSi4oC&pg=PA153&lpg=PA153&dq=A+leitura+de+imagem+por+Edmund+Burke+Feldman&source=bl&ots=c5QndI3LZg&sig=x3FimDoeTJ7yyOg8rdZSn7kOhwM&hl=pt-BR&ei=G5b2TYCCKcHEgQeJg6XLCw&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=8&ved=0CEUQ6AEwBw#v=onepage&q=A%20leitura%20de%20imagem%20por%20Edmund%20Burke%20Feldman&f=false

Livro de Artista

 Seminário integrador 05: a arte e o ensino da arte no Brasil. Uma reflexão sobre cada semestre já realizado no curso.
                       

sábado, 22 de maio de 2010

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Caminho das Letras


Proposta das Paisagens Urbanas
com Intervenções Coletivas


No inicio do ano normalmente faço uma pesquisa com os alunos onde eles devem procurar a definição de Museu, Exposição, Galeria, Instalação e Interferência. E montar um guia com endereço, telefone, ingresso, horário de funcionamento de quatro museus e exposições, em Porto Alegre (isso desperta a vontade de visitar algum deles). Quando falo das diferenças entre cada instituição, sempre noto uma curiosidade maior sobre as instalações e interferências, e acabo propondo uma instalação no saguão da escola, que eles fazem com muito entusiasmo.
Este ano como já sabia do trabalho de Interferência Urbana, sondei o que teria maior importância no entorno da escola e que não interferisse na segurança deles (trabalho com o Noturno). Com certeza os problemas que mais surgiram foram em relação à segurança nas imediações da escola, mas outro problema é a parada de ônibus, e esse me atinge diretamente quando os alunos pedem para sair mais cedo, pois o ônibus demora muito para passar. Então começamos a pensar em como trabalhar uma interferência na parada de ônibus.
Mas como é normal em toda escola, nossas aulas foram interrompidas por reuniões, palestras, e os empecilhos normais do ensino noturno a evasão. Isso tudo com a entrada de um projeto, de várias disciplinas, envolvendo alunos do magistério com a educação infantil, onde seria contada uma história e as crianças presenteadas com um livro e uma flor (feita de EVA) seguindo a tradição espanhola para o Dia Internacional do Livro.
Como se tudo isso não bastasse uma semana de chuvas e feriado impediu uma ação externa com as turmas do noturno e a parada de ônibus, foi então que tive que mudar o foco, trabalhando agora com as turmas de magistério.
Montamos um painel com as datas das apresentações decorando com uma estante desenhada com as lombadas dos livros em EVA no saguão da escola.
Foram confeccionadas letras em jornal e espalhadas pela calçada da escola entrando pelo portão, subindo as escadas e chegando ao saguão.
Da estante de livros caiam letras de papel contact coladas pelo chão, fazendo um “Caminho de Letras” até o local da apresentação.
Entendo que esta atividade não seguiu exatamente a proposta do trabalho de Interferência Urbana, mas nem sempre o que planejamos para ser desenvolvido com os alunos sai no momento que desejamos.
Os alunos do noturno estão aguardando com paciência o momento oportuno para montarem a Interferência na parada do ônibus, enquanto isso, continuam planejando e discutindo o assunto entre eles, e eu acho que isso é o que importa não é a professora que quer o trabalho, são os alunos que estão, fora da sala de aula, discutindo uma maneira de chamar a atenção, de forma artística, para um problema pertinente a todos.

domingo, 18 de abril de 2010

Andante





Meu Andante; difícil ordenar os pensamentos colocar no papel as mudanças que ocorreram, mas vou tentar. A ideia sempre foi produzir pegadas com uma evolução, quer dizer tendo uma historia para contar. As pegadas da humanidade de fascinaram; partindo do macaco depois um pé humano, um pé com sapato e um pé robótico. As figuras internas seguiriam a evolução dos períodos artísticos. Começaria com bananeiras na primeira pegada, inspirada na obra de Lasar Segal “O menino com lagartixas”, seguindo com “Abaporu” de Tarsila do Amaral e assim sempre continuando até a arte contemporânea. Mas os tropeços no meio do caminho me levaram a mudar de ideia, mantive a primeira pegada, mas na segunda já tive outras ideias e acabei por fazer um pé social com elementos de festa, enfeites e neon (esqueci de espelhar e a palavra ficou invertida). Quando estava pronta para fazer um pé com motivos mais operários; a ideia já tinha mudado para uma ótica no sentido mais diário, nossas várias atividades, como nos transformamos ao longo do mesmo dia com as diversas atividades que desenvolvemos. Foi que minha filha me ligou dizendo que estava indo para o pronto socorro porque tinha machucado o pé no treino de judô. Passei um trabalho para a turma que estava dando aula e fui dar um apoio para ela. Na radiografia estava bem claro que aquele “risco” não era para estar ali... Isso me levou a repensar minhas pegadas, então usei um pé como se fosse uma radiografia, aparecendo os ossos com uma grande fissura. A continuação não poderia ser diferente um pé com gesso, e todas as assinaturas e recados dos colegas, sem esquecer a muleta que por um bom tempo ela vai precisar.
Muito bem; chegou a hora; difícil hora de entregar um “filho” para o mundo; deixá-lo andar sozinho. Minha ideia era deixar minhas pegadas na Redenção onde foram planejadas entre uma corrida e outra. Mas domingo pela manhã sempre vamos para Ipanema, então achei até melhor, pois irei me desprender mais facilmente sem vê-las por uma semana.
Coloquei as pegadas perto do passeio, na grama para ter um melhor contraste de cores, em uma descida para a orla. Tirei algumas fotos e sentei relativamente perto para ficar observando se alguém perceberia e comentaria alguma coisa (até agora nada...).
Com os meus chinelos e a ajuda do marido fizemos algumas marcas na areia (procuramos uma areia mais fina) não ficou perfeita, mas conseguimos algumas marcas. Quando estávamos saindo uma menina correu para pegar uma bola e notou as pegadas, olhou, andou em volta e voltou para seu brinquedo... no próximo domingo vou voltar para observar o que restou do meu Andante...

sábado, 10 de abril de 2010

Digitais Urbanas


Digital Urbana, o nome já é quase um poema. Em quantos lugares deixamos nossa marca, e quantos lugares marcam nossa alma?? É uma troca constante de carinhos nas pegadas, cada lugar tem sua história na nossa história. Alguns com muita emoção e outros apenas uma passagem, mas todos fazem parte de nossas vidas.
A porta de casa, quase 20 anos abrindo todos os dias e nunca tinha sentido como algo marcante. A maçaneta da porta da casa das minhas filhas, essa faz pouco tempo que abro, mas a emoção é grande, me mostra que elas cresceram e seguem o próprio caminho.
Os vários locais na Sogipa, quase minha segunda casa, com certeza não foi só na argila que fica a marca da arquibancada; diariamente, por quase 10 anos, sentamos assistindo aos treinos de judô das filhas. E no sobe e desce das escadas, buscando água, o emborrachado já está quase gasto.
Nos encontros e despedidas no aeroporto; quase a garagem de casa, não pela proximidade, mas pelo constante uso. Quando não é viagem de férias são os compromissos das competições. Então a escada rolante é um alento na subida para um café ou, na descida a emoção do reencontro.
Nas corridas pela Redenção surgiu um sentimento que na minha vida inteira passeando por ela nunca tinha percebido. O Parque Farroupilha é um “Ser Vivo” com vida própria e personalidade marcante. Minha percepção era a de uma criança que quando fecha os olhos acha que o mundo desaparece, também achava que o parque só existia quando eu estava nele, aproveitando seus recantos. Mas não, esses recantos existem e vivem muito bem sem a minha presença. O parque está sendo quase um amigo que, quando eu vou visitá-lo noto seus galhos quebrados ou suas flores se abrindo, vejo que ele muda de um dia para o outro, coisa que só se nota com um convívio mais íntimo. Até a árvore de pedra modifica sua “casca” abrigando um pouco mais de limo, agora no inicio das chuvas de outono.
Como não falar das pedras da calçada do Instituto de Educação, das escadas e da porta que me leva a um mundo cheio de vida, juventude, experiência e aprendizagem mutua?
E é claro vou me deslocando por todos os lugares deixando marcas continuas dos pneus do carro que facilitam muito o meu caminhar.

DEPOIMENTO REFLEXIVO DO PRENSAUTO



De todos os objetos que escolhi para o nicho poiético apenas as chaves foram aproveitadas para o prensauto, os outros objetos eram grades e não caberiam no meu pé.
Fiz alguns testes no papel, no primeiro achei muito cheio, então resolvi tirar alguns objetos, a segunda montagem ficou melhor.
Imprimir os objetos foi tranqüilo, um fio de nylon enrolado na chave e tudo bem, mas e a moeda? Nada que duas lixas de metal não resolvessem, mas no momento de puxar, ela pulou e cravou na argila, meu primeiro impulso foi de alisar e arrumar as imperfeições, mas quando tirei a moeda, percebi uma impressão que não tinha sido pensada, mas que ficou bem interessante, então reforcei a impressão e fiz outra.
Esse tema ou suporte é muito interessante e abrangente, podemos relacionar com infinitos outros temas e objetos. No inicio dos trabalhos achei que seria difícil conseguir uma harmonia, senti que qualquer objeto cravado no meu pé seria no mínimo visualmente desconfortável, mas com a ajuda do Caderno de Registro, comecei a pensar e escrever onde e como os meus pés me levam. Então comecei a relacionar com outras coisas, que da mesma forma me levam, se não efetivamente pelo menos é uma consequencia, uma forma virtual ou um pensamento que me leva para outro lugar.
Vou copiar alguns trechos do que escrevi no caderno, tentando mostrar o que me levou a montar meu Prensauto dessa maneira.
Os pés te levam para onde quiseres, se não vão efetivamente, pelo menos te levam, de certa forma a pegar um transporte que te leve... As chaves também não te levam a lugar nenhum, mas abrem portas que te levarão onde quiseres. Acredito que os dois elementos estejam interligados, pois os pés não atuam sozinhos, apenas facilitam as coisas. As chaves também não são atrizes principais, mas abrem um mundo de histórias e os pés apenas facilitam a ação do sujeito. Quantos mistérios estão guardados nos armários e salas trancadas; quantos caminhos não andamos, que mudariam nossas vidas???? Acho que essa dupla pode não fazer acontecer, mas sem dúvida proporciona grandes momentos.
Da mesma forma o dinheiro (moedas) sozinho não é nada, mas pode te levar longe, passando por várias pessoas, trocando de objetivos, sonhos e prazeres, proporcionando uma mudança na vida de quem o possui.
O cadeado faria um belo par com as chaves e teria uma plasticidade bem interessante, mas acho que é muito duro, muito fechado e meu objetivo neste trabalho é justamente abrir possibilidades.
Uma medalha é consequencia de uma longa caminhada; de muito esforço, determinação e disciplina. Não é o final, sempre existe algo mais para se conquistar, é outra etapa de uma jornada que não termina, pode mudar de foco, mas nunca de interesse. (ficou muito grande, fica para outro trabalho essa ideia)
A ideia de exposição de um ou vários Prensautos seria de induzir o espectador a entrar em um espaço com outras obras, seria um caminho a ser seguido. Acredito que uma porta entreaberta com marcas de pés, é uma situação que deixaria qualquer um curioso, com certeza mexeria com o imaginário das pessoas. Outra possibilidade de apresentar um único Prensauto poderia ser usando para escorar da porta de acesso a uma exposição.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Como fazer

Depois de decidir finalmente a colocação dos objetos eu desenhei no papel e olhei pelo verso e contra a luz para ver como iria ficar no gesso. Acho que agora é a hora!!!!
Amassar e molhar um pouco a argila é fundamental; então vamos nessa!!!!






Preparar o antes o durante e o depois é parte importante do sucesso do trabalho; não tem vaselina, eu usei um óleo de massagem, mais caro mas era o que eu tinha. Muito bem mão na massa, ou melhor pé na argila... Tá e depois saio pulando até o banheiro para lavar a meleca????
Não!! tenho toalha de papel (já faz parte do material de pintura) dou uma limpada e mergulho o pé na bacia com água e sabão (aqui mesmo na sala-atelie), seco com a toalha que o marido teve que ir buscar (lembrem da toalha)






Imprimir os objetos foi tranqüilo, um fio de nylon enrolado na chave e tudo bem, mas e a moeda?
Nada que duas lixas de unhas de metal não resolvam, mas cuidado que ela pula e crava na argila, revelando uma impressão que não tinha sido pensada, mas que ficou bem interessante, então vamos reforçar e fazer outra. Hora do gesso!! Tranqüilo, só foi mais água do que deveria tudo bem vai demorar mais para secar...





Hora da verdade... Um recurso bem útil é passar um fio de nylon em baixo da argila para solta-la da base, e tirar com cuidado o seu prensauto, lavar com uma escovinha macia e deixar secar por um tempo, usando uma faquinha ou canivete pequeno arrumar as imperfeições e rebarbas que ficaram, faça isso com cuidado enquanto o gesso ainda estiver úmido ele é macio e fácil de trabalhar.




Acredito que os elementos que escolhi estejam interligados, pois os pés não atuam sozinhos apenas facilitam as coisas e as chaves não são atrizes principais, mas abrem um mundo de histórias. Da mesma forma as moedas sozinhas não são nada, mas podem te levar longe, passando por várias pessoas, trocando de objetivos e sonhos. Esses objetos não atuam sozinhos, mas propiciam a ação do sujeito. Quantos mistérios estão guardados nos armários e salas trancados; quantos caminhos que não andamos e poderiam mudar nossas vidas?

sexta-feira, 26 de março de 2010

Ideias para o Prensauto






Alguns trechos do meu diário com ideias e argumentos...

Estou montando, em uma parede da sala de artes (caíram todos os azulejos e um pouco do reboco), um painel com trabalhos dos alunos. Usamos argila (sem queimar) e estamos fixando com massa corrida.

Prensauto





Depois de uma tentativa frustrada (meu número de matrícula saiu invertido), montei novamente o carimbo e testei outros objetos, com a moeda não ficou o esperado, talvez mudando a posição fique melhor. Fiz alguns testes no papel, no primeiro achei muito cheio, melhor tirar alguns objetos, no segundo ficou melhor, vou esperar para decidir amanhã.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Nicho Poiético


Primeiro quero agradecer a Sonia pela pesquisa sobre poietica, estava curiosa e ia pesquisar quando li no blog dela o significado.
Meu nicho foi feito por algumas das muitas coisas que me cercam durante o dia; poderia falar dos livros que começaram a ficar parados com o marcador no mesmo lugar, na câmera fotográfica que humildemente cedeu seu lugar para poder trabalhar, do relógio que usamos como algemas, do meu tênis de corrida que estou deslumbrada em fazer, e de tantas outras, mas vamos falar sobre o que vemos. Meu estojo com tudo que uma professora de artes precisa, o próprio estojo é uma forma de estar perto de minhas filhas, todos os botons elas ganharam em competições pelo mundo e me deram para enfeitá-lo; o metro de marceneiro eu não consigo me separar mesmo em compasso de espera ainda penso como arquiteta, o mouse que uso tanto como uma caneta, a maior briga em casa é que sou canhota e troco para o lado esquerdo, o celular que é uma ligação com o mundo e um incomodo nas horas impróprias o símbolo da Sogipa moro tanto lá como em casa (minhas filhas treinam judô todos os dias e fazem faculdade de Ed. Física lá também); as folhas são lembranças da infância, não existe coisa melhor do que caminhar sobre elas fazendo barulho e sentindo o cheiro das folhas de eucalipto; as chaves que abrem as portas do nosso dia-a-dia, a barrinha de cereal, minha merenda de todo dia; e um creme pras mãos, porque pó de giz é bom só no quadro.

Caderno de Registro


Sempre anotei minhas ideias em qualquer pedaço de papel (isso trago da arquitetura, um professor pedia para ver todos os rascunhos do projeto, até os de guardanapo de bar, para entender a nossa criação), mas o problema é que guardo os papeis em qualquer livro, bolsa, pasta, agenda... e depois não sei onde estão. Usei folhas secas para encapar o caderno, assim cada vez que abro ou fecho escuto as folhas e o cheiro que me leva de volta para a infância. Sei da importância de anotar cada sensação ou sentimento vivido, fiz um diário para cada uma das minhas filhas desde que nasceram até mais ou menos 4 anos, anotava cada novidade ou arte (bagunça) que faziam, guardei até que completaram 18 anos e dei de presente simbolizando uma liberdade conquistada. Elas conseguiram conhecer um pouquinho do que foram quando crianças, o interessante é que pedi para a mais velha guardar segredo e ela compreendeu, as amigas em comum leram junto e também guardaram segredo.
Continuo rabiscando em qualquer lugar, mas agora guardo para colar no caderno, ainda não acostumei a levá-lo junto.

Leila Quintana de Aguiar por Leila


Incansável buscadora de novidades, sempre vendo as coisas cor-de-rosa por mais pretas que estejam... Prefiro pensar pela manhã, as coisas fluem melhor, os “barulhos” são mais suaves; na madrugada prefiro o trabalho “sem-penso” a coisa mais automática. Hábito que por muitos anos me acompanharam nos projetos de móveis e arquitetura, que estão no momento em estado de quase abandono (mas pretendo retomar). Apenas novos conhecimentos e descobertas estão mais fortes no momento, e principalmente a retomada do meu antigo curso de Artes Plásticas que ficou pela metade e esquecido.